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Alvaro Nazareth: Eco 101 se capitaliza sem contrapartida aos usuários / Manato afronta STF, rasga Constituição e é suspeito de ligações com Bosalnaro

26 de maio de 2017
Alvaro Nazareth é Economista, Jornalista e Publicitário. Trabalhou no jornal O Diário, Rádio Espírito Santo, Revista Agora, Jornal da Cidade, A Gazeta e A Tribuna. Fundou a Uniarte Agência de Propaganda e dirigiu comercialmente a Eldorado Publicidade, a Rede Tribuna e o jornal eletrônico Século Diário. Foi Secretário de Comunicação da Prefeitura de Vila Velha e do Governo do Estado do Espírito Santo.






Eco 101 no ES

Como genro em casa de sogra, devora recursos e não faz nada.

Conforme noticiado pelos principais jornais diários de Vitória – A Tribuna, A Gazeta, Século Diário e Notícia Agora –, o Tribunal de Contas da União determinou que a Agência Nacional de Transportes Terrestres faça a revisão do reajuste de 15,13% sobre os valores dos pedágios cobrados na BR-101 no Espírito Santo.



A operadora do sistema, a Eco101 ganhou, no sentido literal da palavra, ganhou de presente um contrato em que não precisou investir além da instalação das praças de pedágio. 

E iniciou a cobrança, capitalizando-se com o recolhimento do dinheiro dos usuários da rodovia, sem que nenhuma contrapartida lhes fosse oferecida.

Agora, já no terceiro ano da concessão e com 55% de atraso em relação ao investimento previsto, diante de uma inflação anualizada em torno de 4%, a concessionária tem o desplante de pretender uma correção quase quatro vezes maior.


Ora, um descumprimento, digamos, aí por volta de uns 10, 12% decorrente de excesso de chuva, por exemplo, seria tolerável. Entretanto, neste exato momento estamos saindo de mais de três anos da pior seca já registrada no Estado. Demonstrativo de que o atraso é indubitavelmente deliberado.


Se a concessionária toma dinheiro do povo para realizar um projeto – o que, repetimos, já é um absurdo porque no capitalismo o investimento é do empresário, seja sob a forma de recursos próprios ou tomados do sistema financeiro, nunca do cidadão – e não o faz, ela está quebrando o contrato e desviando esses recursos. O que pode configurar apropriação indébita: designação suave de roubo.


Antigamente, havia a aceitação (então totalmente indevida) do rouba mas faz, substituída pela atual (hoje absolutamente inaceitável) do rouba e não faz. Na qual parece se encaixar a Eco101, como genro em casa de sogra.


                 Péssimo exemplo I

O deputado federal Carlos Manato, em resposta ao artigo Péssimo Exemplo, de 15/5/2017, enviou o texto a seguir, na íntegra e sem correção, como me chegou:
                    
Deputado entende ser correto afrontar o STF e rasgar a Constituição Federal.

- Resposta aos nobre Jornalistas José Carlos Correia e Alvaro Nazareth

- "Apesar de não ter feito o curso de jornalismo eu, como leitor, conheço o bom jornalismo, e sei que uma boa 
matéria precisa trazer os dois lados da história. Por isso, nobres jornalistas, mesmo sabendo que os senhores não me procuraram
para ouvir o outro lado eu me antecipo e trago explicações para que, quem sabe, a história contada pelos senhores seja digna 
da chancela do bom jornalismo.

Ambos os colegas foram ferrenhos em falar da minha proposta de lei 6.886/17 que pede a inclusão do Estado do Espírito Santo em uma lei já existente (lei 13.293/16) que anistia policiais militares e bombeiros envolvidos em movimentos grevistas por melhores condições de salários. Essa referida lei foi sancionada ano passado pelo presidente Michel Temer e abarca 22 estados 
e o Distrito Federal. 

Logo, fica evidente que uma lei, que passou por todos os tramites de aprovação, com votações favoráveis e expressivas nas duas casas legislativas, sancionada pelo presidente não pode ser dita com afrontosa as leis brasileiras, como argumentam os senhores.

            A minha proposta é que os policias militares do Espírito Santo tenham os MESMOS DIREITOS que tiveram policiais de outros 22 estados brasileiros e distrito Federal em situação análoga.
          Sobre a questão mencionada de que eu apoiei o movimento e que um relatório da Polícia Federal comprovaria a minha participação na comunicação e na logística do motim peçoque apresentem esse relatório para os leitores. 
Mas, já adianto, estive na Polícia Federal para entregar meu celular àperíciae descobrir a inexistência de qualquer relatório ou investigação envolvendo o meu nome com esse motim, por isso eles não puderam ficar com meu celular.

        Sobre a minha ex-assessora, Izabella Renata Andrade Costa, entendo o interesse dela no movimento, afinal de contas é casada com militar, porém não compactuei com o feito e, principalmente, com a atitude de participar do 
movimento sem o meu conhecimento, o que me colocou em uma situação desagradável como essa que passo agora ao ter que me justificaraos senhores. Por causa de tudo isso, ela foi exonerada com publicação feita no Diário Oficial 
da União de 02/03/2017.

         Acredito que todos têmdireito a opinião, vivemos em uma democracia. Porém, é importante lembra-los que escolheram uma profissão de nobre importância para a sociedade que é informar com clareza e exatidão dos fatos. 
Diante disso, espero que publiquem esse outro lado da história e deem um BOM EXEMPLO ao cumprirem o juramento feito,na conclusão do curso, de sempre ter o compromisso com a verdade e a informação.

Realmente, esse seria um bom exemplo.

Atendida a solicitação, vamos aos fatos:

O bom Jornalismo ouve as partes envolvidas apenas em caso de controvérsia. Quando a situação apresenta-se cristalina e definida, não há essa necessidade.

Na matéria, ficou expressa a estranheza diante do apoio do deputado, um legislador, a uma iniciativa indiscutivelmente ilegal por afrontar o artigo 142 da Constituição Federal: o movimento grevista de parte dos integrantes da Polícia Militar do Espírito Santo em fevereiro deste ano.

O artigo 142 da CF veda aos militares o direito de greve e de sindicalização. E, em 05/4/2017, o Supremo Tribunal Federal reafirmou tal entendimento em decisão por sete votos a três, estendendo-o a todas as instituições de cuja atividade fim seja a segurança pública.

Os dois preceitos se sobrepõem a quaisquer outros diplomas legais que não sejam Emendas Constitucionais devidamente aprovadas no Congresso Nacional. Que, por seu turno não pode aprovar projeto de lei inconstitucional.

Ou seja, afrontar o STF e, sobretudo, a Constituição Federal é, sim, um péssimo exemplo.

Ah, deputado, segue o texto do juramento de formandos em Jornalismo, onde, como o senhor pode notar, não se faz menção a obrigatoriedade de que sejam ouvidas as partes envolvidas em uma matéria. Ou seja, trata-se de questão de bom senso de livre arbítrio; o compromisso obrigatório é com a verdade e a informação:

Juro exercer a função de jornalista assumindo o compromisso com a verdade e a informação. Atuarei dentro dos princípios universais de justiça e democracia, garantindo principalmente o direito do cidadão à informação. Buscarei o aprimoramento das relações humanas e sociais, através da crítica e análise da sociedade, visando um futuro mais digno e mais justo para todos os 
cidadãos brasileiros. Assim eu Juro (AN).
                       A Tribuna nº 25.995

        Uma aula completa e acabada de como não se faz Jornalismo 
e de como não se edita uma primeira página.

A noite deste 17/5/2017 caiu como um imenso corpo celeste, daqueles equivalentes a uma bomba de megatons suficientes para destruir o planeta, sobre o gigante situado ao Sul do Equador, mais conhecido como Brasil.

A mídia eletrônica – rádios, tv’s e Internet – saiu queimando na frente com chamadas e manchetes sintonizadas com o dramatismo  da situação: delação de um mega-empresário colocava o presidente da república entre a renúncia e o impeachment. 

Os jornais impressos diários, pelo moroso processo de produção, só circularam na manhã do dia seguinte, 18/5. Mas, quase todos vieram na mesma linha, dedicando praticamente 100% de suas primeiras páginas ao assunto dominante.

Quase todos, porque, no Espírito Santo, A Tribuna, o auto-proclamado maior jornal impresso em circulação no Estado, resolveu fazer tudo diferente. E cometeu uma das maiores subversões de valores já observadas no jornalismo capixaba.

Para A Tribuna, a principal manchete ofertada a seus leitores falava da abertura de 1.800 vagas de empregos para todos os níveis com salários de até R$ 10 mil. Arrematada pela fantástica informação de que apenas em uma rede de lojas a admissão de 50 vendedores já tivera início. Convenhamos, de 1.800 para 50, vai um abismo.

A segunda manchete, com direito a foto, tratou da desclassificação do Flamengo na Libertadores da América. Produzida pelo arraigado flamenguismo assolador das redações do País, que coloca as paixões subalternas acima dos maiores interesses nacionais.

Somente na terceira chamada apareceu, de forma discreta, o tema dominante em todos os outros jornais brasileiros: o País em choque. Não porque o Flamengo perdeu, mas, porque o País perdeu. O País, o Brasil, algo assim imensuravelmente maior que o Flamengo e os empregos que o jornal anuncia e nunca se materializam, são apenas atrativos  para atrair e cativar a audiência.

A primeira página de A Tribuna, porém, considerou que 1,8 mil empregos fictícios e o eventual desempenho de um time popular de futebol sejam maiores que o destino do País.

Lamentável (AN). 

Péssimo exemplo - Deputados federais rasgam a Constituição.

Muito oportunamente, o jornalista José Carlos Correia, em artigo publicado dia 13/05, pesou o teclado contra a esdrúxula proposta de anistia aos PM’s grevistas aprovada na Comissão de Segurança Pública da Câmara Federal.


 Corretamente, estranha, sem citar nome, a presença de parlamentar capixaba entre os autores do monstrengo. Tem capixaba, sim, cujas iniciais são Carlos Manato, em conluio com Alberto Fraga (Dem-DF), e o Capitão Augusto (PR-SP), este, militar.

Não é difícil recordar que no auge da crise foi localizada uma central de divulgação do movimento partindo de Izabella Renata Andrade Costa, assessora comissionada do deputado Manato.

Segundo relatório da Polícia Federal, a assessora e o deputado capixaba teriam ligações com o grupo de Jair Bolsonaro, deputado pelo PSC-RJ, todos citados como participantes na comunicação e na logística do motim.

O deputado Carlos Manato negou a participação e anunciou a exoneração da funcionária. Mas, agora, com seu contraditório reaparecimento em defesa dos grevistas, sua negativa perde qualquer sentido, restando apenas saber se de fato exonerou a assessora.

Ao apoiar uma iniciativa flagrantemente inconstitucional com o objetivo de beneficiar cerca de 2,5 mil militares que afrontaram a Lei Maior em detrimento da sociedade que deveriam proteger, o deputado mancha sua biografia de maneira irremediável. Eleito para produzir leis, boas leis, trabalha exatamente em sentido contrário atentando contra as já existentes.

Realmente, um péssimo exemplo (AN).

Gilmar Mendes

Levanta-te e vote.
Que Lula esteja em
campanha, até cego vê e surdo ouve. Poucos percebem, porém, que objetivo mira, o pano de fundo dessa movimentação, pois cegos e surdos medianamente informados sabem que candidato à presidência ele não será. Pelo menos se mantida a conjuntura jurídica atual.

O Supremo Tribunal Federal está decidindo se réu pode ser candidato à presidência ou a cargos que estejam na linha sucessória. Só não decidiu ainda porque o ministro Gilmar Mendes, sempre o Gilmar, pediu vistas dia 1/2 e há quase três meses está sentado sobre o processo. Detalhe estranho: fez o pedido, mesmo não presente à sessão.

Já votaram à favor da vedação: o relator Marco Aurélio Mello, Edson Fachin, Teori Zavascki (quando ainda vivo, claro), Rosa Weber, Luiz Fux e Celso de Mello. Luís Roberto Barroso se declarou impedido por razões pessoais. Além de Tóffoli, não votaram a presidente Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, ausentes à sessão.

O placar, então, está em seis a zero, suficiente para barrar a candidatura de quem quer que seja réu, caso de Lula. Faltam as manifestações de quatro ministros e sempre há a possibilidade de alguma mudança de voto dos que já votaram. O cenário atual, contudo, orienta para o impedimento de candidaturas de réus, o fim de linha para essa indecência.

Lula nunca sabe de nada, mas, disso aí, sabe. Do contrário, tem que dispensar todos os seus advogados por não o alertarem desse risco. Como ele sabe, qual é a dele ao fingir desconhecimento e insistir numa candidatura mais que improvável, impossível?

Palanque, sua especialidade. Para alimentar aspirações e conter a extinção total do PT. Resta estranho que vários articulistas do ramo andem passando ao largo dessa questão e alimentem, com suas omissões, essa enganação. Dora Kramer, na Veja, edição 2527, abordou o assunto com precisão.

A aguardar, o momento em que Gilmar Mendes levantar-se da cadeira e destravar o andamento do processo. Der-se conta de que protocolou um pedido de vistas e não a perder de vistas. 

São os destinos de um país e de uma nação que estão sob suas nádegas há mais de três meses.

Acorda Gilmar (AN).

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rubens pontes

Jornalista de antigos tempos, tenho sempre motivos de orgulho quando me deparo com uma coluna como esta assinada por Álvaro Nazareth. É que essa ótica de leitura de episódios me faz recorrer á melhor fase da imprensa brasileira, isenta, informativa, aberta ao diálogo e ao hoje chamado contraditório sem, no entanto, abrir mão de suas convicções pessoais. Como nos sueltos e editoriais que expressavam a opinião do articulista refletindo o sentimento da maioria de seus leitores. Talvez até por isso, vê-se uma crescente presença de jornalistas em blogues e portais como este, manifestando com absoluta independência, sem nenhum tipo de censura, a verdade camuflada pelo interesse político ou comercial de órgãos da imprensa.

annews

Vindos de voce, Rubens Pontes, estes elogios chegam a mim como o Grande Prêmio que nunca antes recebi. Muito obrigado e um forte abraço, que passarei aí para entregar pessoalmente.

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