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Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado / Mar de tanto sangue e fel, Valdo Motta

21 de maio de 2017


- Despreconceituoso Don Oleari:

Esta não é uma semana apropriada para se falar em temas que tocam
a sensibilidade da gente. Acordei com a sensação de ver afixada na
porta de entrada para o Brasil uma grande placa luminosa com
os dizeres 'FECHADO PARA BALANÇO'.

Por outro lado, se estamos todos de luto pela liquidação do pouco que
ainda nos restava de esperança, entendo que vale a pena afagar
o espirito e procurar acreditar que, assim como Noé superou com o milagre
da Arca as águas do Dilúvio, alguma coisa superior aos políticos brasileiros
poderá estender suas mãos sobre o País e salvar um pouco do orgulho que nos resta.


Mas hoje é sábado.
Embora triste e melancólico, quero lhe dizer que
quanto mais pesquiso a história dos intelectuais que marcaram a
vida literária do Espírito Santo, mais me surpreendo, encontrando
figuras por mim pouco conhecidas e que, no entanto,
alcançaram projeção além fronteiras, ganhando dimensão internacional.


Leio, por exemplo, esse registro na coluna "Literaturwissenschaftier "
("Cientista das Letras") de jornal literário de Munique, Alemanha,
assinado por Roberto Schwartz:

- "(...) há um ensaio audacioso e importante de Iumna Simon sobre a poesia
igualmente importante e audaciosa, marginal até onde é possível, de Valdo Motta,
cuja posição estética, religiosa, sexual e de classe cria ângulos novos".

E aí, pergunto eu, quem é Valdo Motta?

Esse poeta capixaba nasceu em São Mateus, no dia 27
de outubro de 1959, batizado com o nome de Edivaldo Motta e que seria
citado mais tarde por críticos literários como um dos mais importantes
poetas brasileiros do final do Século XX.

"Valdo Motta não é um poeta. Valdo Motta é O poeta", assinalou José Augusto de Carvalho...


A professora Candace Slater, da University of Califórnia, se entusiasmou
com a obra de Valdo Motta registrando que "tivemos sorte em ter conosco,
durante a Primavera de 2002, o poeta Valdo Motta, cuja obra
se caracteriza por um elemento de oralidade acentuada e uma
preocupação sintética que os nossos alunos não tinham visto antes".

Valdo Motta foi distinguido com uma bolsa-residência
de três meses na Baviera, distinção apenas concedida a artistas
de relevância internacional, indicado pelo Landeshuptstadt Munchen Kulturreferat,
da Alemanha.

A revista "Sui Generis", escrevendo sobre Valdo Motta, poeta militante
do Gay lLib e do Movimento Negro, assinalou ser ele "polêmico, obsceno,
transgressor, e o mais talentoso poeta de inspiração gay dos últimos tempos".

Por tudo isso e até por isso, selecionei, como meu poema deste sábado,
a instigante criação do capixaba que ganhou o mundo:
"Mar de Tanto Sangue e Fel", que me leva a evocar Fernando Pessoa,
por muitos apontado como o maior poeta da língua portuguesa.

Abraço.
Rubens".


MAR DE TANTO SANGUE E FEL

Valdo Motta


Mar de tanto sangue e fel,
mar amaro, mar cruel,
onde hemos de encontrar
a terra de leite e mel?

Quando mais os ventos falam
da misteriosa terra,
tanto mais a alma errante
em procurá-la, erra.

Quanto mais perambulamos,
de léu em léu, pela terra,
atrás da terra sem mal,
tanto mais longe iremos
de nosso destino real.




Rubens Pontes
é jornalista,
poeta,
escritor,

Rádio Clube da Boa Música, Primeira Classe, de A a Z. "Poesia todo dia", segunda a sábado, 7h57m.

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