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As Certinhas do Oleari + Poesia - "Cancioneiro", Fernando Pessoa / Ingrid Bergman em "Casablanca" / Diagonal

29 de maio de 2017




Retomando a coluna "As Certinhas do Oleari",
criada em memória de Stanislaw Ponto Preta/
Sergio Porto por sugestão do meu saudoso manuvéi 
Penna Filho, jornalista, roteirista, diretor de cinema.
Falsa modéstia à parte, um xou de coluna.

Chove? 
Nenhuma Chuva Cai…

"Cancioneiro"
 Fernando Pessoa

Fotografia: miamojolene

Chove? Nenhuma chuva cai…
Então onde é que eu sinto um dia
Em que ruído da chuva atrai
A minha inútil agonia ?

Onde é que chove, que eu o ouço?
Onde é que é triste, ó claro céu?
Eu quero sorrir-te, e não posso,
Ó céu azul, chamar-te meu…

E o escuro ruído da chuva
É constante em meu pensamento.
Meu ser é a invisível curva
Traçada pelo som do vento…

E eis que ante o sol e o azul do dia,
Como se a hora me estorvasse,
Eu sofro… E a luz e a sua alegria
Cai aos meus pés como um disfarce.

Ah, na minha alma sempre chove.
Há sempre escuro dentro de mim.
Se escuro, alguém dentro de mim ouve
A chuva, como a voz de um fim…

Os céus da tua face, e os derradeiros
Tons do poente segredam nas arcadas…

No claustro sequestrando a lucidez
Um espasmo apagado em ódio à ânsia
Põe dias de ilhas vistas do convés

No meu cansaço perdido entre os gelos,
E a cor do outono é um funeral de apelos
Pela estrada da minha dissonância…


Oswaldo Oleari 
é jornalista, 
radialista, 
apreciador do belo
(das belas, principalmente)

Na foto de capa, a bela Ingrid Bergman no inesquecível, imbatível e eterno filme "Casablanca". Aí, personagem de Humprhey Bogart diz ao pianista:
- Play it, Sam.
Abaixo, o vídeo com a cena original do filme, quando Doodley Wilson canta "As time goes by".

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