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Alvaro Nazareth: A História se repete

9 de junho de 2017



A História se repete.

Ou, os protagonistas constroem a repetição da História.

Há quem acredite que a História seja cíclica e se repita de tempos em tempos. Assim como o próprio tempo, que se repete em segundos, minutos, horas, dias, meses, décadas, séculos e milênios.

Mudam-se os atores, repetem-se as situações geradas por circunstâncias semelhantes, que exigem ações e reações idênticas. Não importa em que tempo estejam.

Em 1964, os militares tomaram o poder no Brasil. Depuseram o presidente João Goulart, o Jango, como era conhecido, eleito vice – é, naqueles idos os vices eram votados individualmente e tomava posse o que obtivesse mais votos, como aconteceu com Jango: vice de Loth (do PSD), tomou posse como vice de Jânio Quadros (da UDN).

Com a renúncia de Jânio em 25/08/1961 depois de apenas sete meses de governo, Jango foi empossado como o 23º presidente do Brasil. E apeado do poder pelos militares em 31/03/1964.

Os militares, na época, alegaram um feixe de motivos para justificarem o golpe. O principal, porém, nada mais foi do que estar o País presidido por um presidente que já não presidia.

Agora, em 18/05, em reunião, os comandantes militares comunicaram ao ministro da Defesa, Raul Jungman, sua preocupação diante da situação complicada do presidente Michel Temer. Um ex-vice não votado, mas que, dentro das regras vigentes, sucedeu constitucionalmente a presidente afastada também constitucionalmente.

Que não preside mais, porém.

Quando militares entendem que algo está complicado é porque está insustentável. E é esta a situação do presidente Michel Temer. Não preside mais. Corre o risco de pedir que o garçon lhe sirva um café e ouvir: vá pegar, se quiser; aproveite e traga um pra mim também.

Ou Temer entende isto, ou a História poderá, sim, se repetir. Patrocinada por ele.


Alvaro Nazareth é Economista, Jornalista e Publicitário. Trabalhou no jornal O Diário, Rádio Espírito Santo, Revista Agora, Jornal da Cidade, A Gazeta e A Tribuna. Fundou a Uniarte Agência de Propaganda e dirigiu comercialmente a Eldorado Publicidade, a Rede Tribuna e o jornal eletrônico Século Diário. Foi Secretário de Comunicação da Prefeitura de Vila Velha e do Governo do Estado do Espírito Santo.

http://alvaronazareth.blogspot.com.br/2017/06/a-historia-se-repete.html#more

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Don Oleari

Recebido do parceiro Rubens Pontes, Diretor de Conteúdo do Portal DOPC, por imeil:

rubens silva pontes
10 de jun (Há 2 dias)

para mim
Preclaro Oswaldo Oleare


Leio no Portal a coluna de Álvaro Nazareth "A História se repete" e sou levado a confirmar a contundente verdade nela contida.
Vivi e convivi com algumas das situações ali narradas e até com pessoas por ele citadas, e é com uma especie de
nostalgia que me volto para tempos vencidos em que - por exemplo - simbolicamente se tirava o chapéu em respeito
à simples citação do STF e dos ministros que compunham a nossa mais alta e então respeitada corte de justiça.
Para não ser levado à suspeição, antecipo que Juscelino Kubitschek de Oliveira, o último estadista eleito
presidente da República, foi e ainda é citado como exemplo de democrata por muitos historiadores brasileiros.
Eleito presidente da República em 1956, cassado seu mandato pelos militares em 1964, exilou-se no Exterior
entre 1965 e 1966. Morto em discutido acidente de carro, em 1976, JK deixou o exemplo de um político
sensível às aspirações do povo brasileiro como se evidencia na carta manuscrita que
endereçou , em 1968, ao então presidente da Academia Mineira de Letras, seu amigo Martins de Oliveira.
Essa correspondência foi encontrada quando se reorganizava o arquivo da AML, para a qual o ex-presidente fora eleito, e publicada por Fábio Doyle no jornal "Estado de Minas".

Manualmente escrito, o documento é um importante testemunho que deveria ser obrigatoriamente lido pelos atuais detentores do Poder nos três mais altos estamentos da República.

A carta:

"Caro amigo. Estamos ás vésperas do Natal, a maior festa da cristandade. O momento é, pois, de comunhão dos espíritos e solidariedade entre os homens. Envio-lhe esta mensagem que é uma afirmação de fé.

Devemos semear a Paz e a Esperança, as duas únicas sementes que fazem a seara do Senhor.

Quando exerci a Presidência da Republica, a concórdia foi a tônica de minha pregação.

Da mensagem de Natal de 1956, retirei algumas frases que traduzem, hoje, o anseio de milhares de criaturas.

Rogo que as leia comigo para que dessa comunhão de pensamento possam resultar Fé e Esperança para todos os brasileiros. Até aqui, mais alto intento não me tem assistido senão bater-me pela Paz em nossa terra.
Posso dizer,sem receio de turvar a verdade que não guardo ressentimentos das injustiças sofridas, e que prosseguirei cada vez com maior determinação a missão de promover o entendimente a harmonia entre os brasileiros que devem se unir para a luta em comum contra a miséria que, desdeséculos, assola nosso país. Ao realizar essa pregação, nunca experimentei desânimo, mesmo quando as dificuldades pareciam intransponíveis. E nesse sentido muito alcancei. A salvação do País não se fará em torno de um homem, mas em função da união nacional.

Quero, no dia em que me retirar da vida pública, poder suportar sem remorsos todos os olhares e que as gerações futuras me deem o atestado de não haver contribuído para dividir o meu país, mas, ao contrário,
de ter de tudo ter feito, nas modestas possibilidades ao meu alcance, para que todos os brasileiros se dessem as mãos e pudessem ser governados pelos nobres sentimentos cristãos e democratas".
Juscelino Kubitschek, Rio, 1968.

Don Oleari

Importante e oportuno o texto do jornalista, economista e publicitário Alvaro Nazareth. Que puxa outro testemunho e um documento muito importantes também, porque o pensamento contido nos três se complementam.

O testemunho e a carta serão reproduzidos na coluna Aqui Rubens Pontes nesta terça, 13 de junho.

Don Oleari

Revisão:

..."o pensamento contido nos três se complementa"....

Don Oleari

REvisão:
- "porque o pensamento contido nos três se complementa".

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