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Aqui Rubens Pontes: meu poema de sábado - Olavo Bilac, Raul de Leoni e Augusto dos Anjos, psicografados por Chico Xavier

17 de junho de 2017
- Condescendente Oswaldo Oleare


Li, dezenas de anos passados, uma obra instigante que me acompanhou até
a fase da vida em que o ceticismo abre espaços e nos torna mais (ou menos)
cautelosos na interpretação de mistérios como o proposto em
"Selon vous que se passe-t-il après la mort" - "De acordo com o que vai acontecer após a morte" - citação de cujo autor me penitencio por não me lembrar do nome.

Digo isso para justificar a escolha do meu poema de sábado, na realidade três poemas selecionados de três dos maiores poetas brasileiros,
Olavo Bilac, Raul de Leoni e Augusto dos Anjos, cada um deles com estilo próprio,
particular, de fazer versos, que nos chegaram do lado de lá da vida terrena
que já não é para eles, "psicografados" pelo medium mineiro Chico Xavier.

Sem nenhuma preocupação nem da minha parte nem do Portal e da RCBM ,
sem nenhum empenho em confirmar ou negar, caberá a quem porventura ler
acreditar ou não nesse mistério a nós proposto. O estilo de cada um deles faz-nos, é inegável,
lembrar a obra dos autores,quando vivos. E naturalmente, por via das consequências, muito bons.


Ah! antes que o nosso tempo também apague... aqui em Manguinhos o clima,
nessa ante véspera do Inverno, está propicio para degustação de um sempre saudável vinho,
por exemplo um Chianti (uva Sangiovese naturalmente), ou um Barolos ou um Barbaresco do Piemonte (*),
ouvindo em background a excelente programação da Radio Clube da Boa Música, viva no ar durante as 24 horas de cada um dos nossos dias

Vamos a ele?

Abraço,
Rubens".

(*) Resposta do Oleari: "vamusim, é só marcar. E como diria meu prezado Norival Perini, do jeito quiocê vier eu saio de três palitim".



SONETO ERRANTE

Olavo Bilac

Por tanto tempo andei faminto e errante

Que os prazeres da vida converti-os

Em poemas das formas, em sombrios

Pesadelos de carne palpitante.


No derradeiro sono, instante a instante

Vi formarem-se anseios como fios

De ilusão transformada em sopros frios

Sobre o meu peito em febre, vacilante.


Morte, no teu portal a alma tateia

Espia, inquire, sonda e chora, cheia

De incerteza na esfinge que tu plasmas!


Impassível, descerro aos aflitos

Uma visão de mundos infinitos

E uma ronda infinita de fantasmas.



NA TERRA

Raul de Leoni


Renascendo no mundo da Quimera,

Ao colhermos a flor da juventude

É quando o nosso espírito se ilude

Julgando-se na eterna primavera.


Mas o tempo na sua mansuetude

Pelas sendas da vida nos espera,

Junto à dor que esclarece e regenera

Dentro da expiação estranha e rude.



E ao tombarmos no ocaso da existência

Nós revemos do livro da consciência

Os caracteres grandes, luminosos.


Se vivemos no mal, quanta agonia!

Mas se o bem praticarmos todo o dia

Como somos felizes, venturosos!...


HOMO II


Augusto dos Anjos


Após a introspecção do Além da Morte

Vendo a terra que os próprios ossos come

Horrente a devorar com sede e fome

Minhas carnes em lúbrico transporte.


Vi que o "ego" era alento flâmeo e forte

Da luz mental que a morte não consome

Não há luta mavórtica que o dome

Ou venenada lâmina que o corte.


Depois da estercorária microbiana

De que o planeta triste se engalana

Nas grilhetas do Infinitesimal.


Volve o espírito ao páramo celeste

Onde a divina essência se reveste

Da substância fluida, universal.


* Poemas psicografados por Chico Xavier.


rubens pontes
é jornalista,
radialista,
poeta,
escritor
e mais um tanto

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