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Aqui Rubens Pontes: sobre a coluna Movimento, de Alvaro Nazareth com o título "A História se repete" + carta histórica de Juscelino

13 de junho de 2017


Juscelino na primeira visita ao local onde seria construída Brasília, em 2 de outubro de 1956 (Foto:VEja.com)



O jornalista Rubens Pontes mandou este importante testemunho e o também importante documento como comentário ao pé da coluna Movimento, de Alvaro Nazareth. Lá está postado sob o título "A História se repete". 

Pela relevância histórica, decidi repetir na própria coluna dele, Aqui Rubens Pontes. Anotando que Rubens trabalhou na Assessoria de Comuncação do ex-presidente JK (Oswaldo Oleari).

- Preclaro Oswaldo Oleare

Leio no Portal DOPC a coluna de Álvaro Nazareth "A História se repete" e sou levado a confirmar a contundente verdade nela contida.

Vivi e convivi com algumas das situações ali narradas e até com pessoas por ele citadas, e é com uma especie de nostalgia que me volto para tempos vencidos em que - por exemplo - simbolicamente se tirava o chapéu em respeito à simples citação do STF e dos ministros que compunham a nossa mais alta e então respeitada corte de justiça.

Para não ser levado à suspeição, antecipo que Juscelino Kubitschek de Oliveira, o último estadista eleito presidente da República, foi e ainda é citado como exemplo de democrata por muitos historiadores brasileiros.

Eleito presidente da República em 1956, cassado seu mandato pelos militares em 1964, exilou-se no Exterior entre 1965 e 1966. 

Morto em discutido acidente de carro, em 1976, JK deixou o exemplo de um político sensível às aspirações do povo brasileiro como se evidencia na carta manuscrita que endereçou , em 1968, ao então presidente da Academia Mineira de Letras, seu amigo Martins de Oliveira.

Essa correspondência foi encontrada quando se reorganizava o arquivo da AML, para a qual o ex-presidente fora eleito, e publicada por Fábio Doyle no jornal "Estado de Minas".

Manualmente escrito, o documento é um importante testemunho que deveria ser obrigatoriamente lido pelos atuais detentores do Poder nos três mais altos estamentos da República.

A carta de Juascelino:

"Caro amigo. Estamos ás vésperas do Natal, a maior festa da cristandade. O momento é, pois, de comunhão dos espíritos e solidariedade entre os homens. Envio-lhe esta mensagem que é uma afirmação de fé.

Devemos semear a Paz e a Esperança, as duas únicas sementes que fazem a seara do Senhor.
Quando exerci a Presidência da Republica, a concórdia foi a tônica de minha pregação.

Da mensagem de Natal de 1956, retirei algumas frases que traduzem, hoje, o anseio de milhares de criaturas.

Rogo que as leia comigo para que dessa comunhão de pensamento possam resultar Fé e Esperança para todos os brasileiros. Até aqui, mais alto intento não me tem assistido senão bater-me pela Paz em nossa terra.

Posso dizer,sem receio de turvar a verdade que não guardo ressentimentos das injustiças sofridas, e que prosseguirei cada vez com maior determinação a missão de promover o entendimento e a harmonia entre os brasileiros que devem se unir para a luta em comum contra a miséria que, desde séculos, assola nosso país. 

Ao realizar essa pregação, nunca experimentei desânimo, mesmo quando
as dificuldades pareciam intransponíveis. E nesse sentido muito alcancei. A salvação do País não se fará em torno de um homem, mas em função da união nacional. 

Quero, no dia em que me retirar da vida pública, poder suportar sem remorsos todos os olhares e que as gerações futuras me deem o atestado de não haver contribuído para dividir o meu país, mas, ao contrário, de ter de tudo ter feito, nas modestas possibilidades ao meu alcance, para que todos os brasileiros
se dessem as mãos e pudessem ser governados pelos nobres sentimentos cristãos e democratas".

Juscelino Kubitschek, Rio, 1968."




Rubens Pontes
é jornalista,
radialista,
escritor.

Trabalhou na Assessoria de Comunicação do ex-presidente Juscelino Kubitschek

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Don Oleari

blablabla

Don Oleari

O autor faz uma correção:

Rubens Pontes - Minha atuação na secretaria de imprensa foi no período em que JK foi governador do Estado. José Moraes, secretário de comunicação que foi mantido pelo presidente então eleito, convidou o grupo mineiro para acompanhá-lo, mas nem todos - eu, inclusive - aceitaram trocar Belo Horizonte pela incerteza de uma cidade ainda em formação, poeirenta, barulhenta, isolada nos sertões de Goiás...

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