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As Certinhas do Oleari + Poesia Erótica - Ode ao Falo, Ocinei Trindade - Por Rodrigo Mello Rego

23 de junho de 2017
Pitaco do Oleari

Rodrigo Mello Rego é jornalista e pesquisador de literatura erótica. Há um tempim, inspirado por alguma coisa do celebérrimo Bocage que li a respeito, mas principalmente pelo poema "A Bunda, De Carlos Drummond de Andrade, garrei a matutá na criação, melhor dizendo, na ampliação d"As Certinhas do Oleari". 

Que ganharam + Poesia por obra e graça do prezado e sumido Walder Rocha, que enriqueceu sobremodo a página. A partir de agora teremos, portanto, também "As Certinhas do Oleari + Poesia Erótica". E o colega que se assina Rodrigo Mello Rego se dispôs a cumprir a tarefa:

- "Sem censura?", indagou ele, meiqui incrédulo. 
Sem censura, respondemos eu e o Rubens Pontes, que tirou um fio de cabelo e eu tirei um fio de bigode pra sacramentar a palavra emprenhada: emprenhada, que nasce agora (Oswaldo Oleari). 


(Rodrigo Mello Rego) - Durante a 13ª FLIP, realizada em Parati de 1º a 5 de julho de 2015, foi  lançada uma Antologia da Poesia Erótica Brasileira. Com mais de 500 páginas, a obra contém 350 poemas com essa linha de criação, assinados por figuras de destaque na nossa literatura, como Gregório de Matos, Gonçalves Dias, Carlos Drumond de Andrade, Hilda Hilst, Gilka Machado, Álvares de Azevedo, Mário Quintana, Manoel Bandeira, Adélia Prado...

Carlos Drumond de Andrade, o mineiro de Itabira, marcou presença incursionando na vertente  da poesia erótica com um livro para ser editado somente depois de sua morte. 

"Indagação", "A puta", "Cio", "A Bunda", são citados apenas como exemplo da extensa criação do nosso poeta maior, campo em que também incursionaram cronistas e poetas da extirpe de Veríssimo, Vinicius de Moraes, Mário Quintana.

A criatividade poética no campo do erotismo,  também no Espírito Santo, não se alheou  a essa área e está presente na produção de muitos dos nossos poetas, dos quais tratarei num futuro próximo.

Na estreia desta vertente da página "As Certinhas do Oleari", agora incorporando + "Poesia Erótica", trago hoje um campista - de Campos dos Goyatacazes/RJ - Ocinel Trindade.
Ele é o autor do poema "Ode ao falo"vencedor do XVII FestCampos de Poesia Falada, durante o FDP - Festival Doces Palavras.

Publico-o na íntegra nesta coluna, sem qualquer censura, como democraticamente se propõe o Portal DOPC. A não ser à minha foto. Por razões diversas não posso aparecer. Não quero ser mais um no assombroso quadro de 14 milhões de desempregados. Espero que cumpram porque não é incomum na imprensa em geral o discurso enganoso contra a censura.

Se eu sumir repentinamente, a causa terá sido o não cumprimento do acordo feito com o Editor Chefão e o Diretor de Conteúdo do Portal.

Ocinei Trindrade tem uma trajetória por grandes veículos de comunicação. Cursou a Faculdade de Filosofia de Campos, fez Pós Graduação no Instituto Federal Fluminense e Frequentou o Liceu de Humanidades de Campos.

Ode ao Falo

Ocinei Trindade

Falemos do falo.
O falo fala.
O meu falo além de falar, canta.
Tenta encantar também.
Samba no pé,
samba na mão,
que mal tem?
O falo sabe das coisas “como ninguém”.
Versátil, está na boca do céu de todo mundo.
Boca cheia, boca suja, boca imunda.
Meu falo até em bunda, numa quizumba do cacete.
Tudo falo entre quatro paredes.
Quase tudo.
Quase teso, o tesão, o tesudo.
A língua do falo é animal, é Edmundo.
É meter porrada na vala e na cara do vagabundo.
O falo está em todas, paga geral.
Mas se mete em cada uma,
já que se acha o tal.
Esqueçam o falo falido.
Falo tem que ser bem sucedido.
Não é mole ser falo!
Isso, eu falo de cadeira,
porque se falo de cama,
só de falar, já me dá canseira.
É duro ser falo, pois nem sempre é ereto.
Estar eternamente a ponto de bala, seria o correto.
Mas, nem sempre é doce a iguaria.
Falo no cuscuz, na baba de moça, no olho de sogra.
Falo também no brigadeiro, afinal que graça
tem comê-lo se não for por inteiro?
E como, como!
Falo é poder, é aspiração de cumprir dever.
Falo tudo sob pressão.
Se ameaçou, já tô botando pra fora.
É, muita história tem o falo pra contar.
Sabemos que nem tudo é festa.
O falo quase sempre vive uma vida modesta.
Reservado, escondido e humilhado sob camadas de tecidos.
É louco para aparecer, mas tem medo, receio.
Pois, não sabe se será bem visto, correspondido.
Todo falo tem na cabeça o desejo de ser grande.
O mal do falo é pensar demais.
Na verdade, muito falo sofre por ser calculista.
Insiste em contar errado, vantagem.
Só aceita a partir de quinze, adora se iludir.
Mas também pra quê ser tão realista?
O falo é o máximo, mas também é o mínimo.
Faz parte do salário do pecado mais ínfimo.
É refém da moral, da mulher, do varal.
É escravo do bacanal, do labirinto vaginal.
Falo também é estuprado pelos apelos da carne,
pela fúria do ânus, pelo estranho sexo digital.
Falo é carnal,
mas sabe ser inteiramente verbal,
espírito.
Falo é macho, é fêmea, é gay.
Falo tem voz de Sinatra,
Cauby ou Elis,
cantando “My Way”.
Falo é o caralho,
é a porra, é a puta que pariu.
Falo é Campos,
é Rio de Janeiro,
é todo o Brasil.
Falo é o que faço.
Falo é o que prometeu,
o que falhou,
o que não entendeu.
Não só falo, como calo.
Falo sou EU! 



Ode ao Falo / Ocinei Trindade
https://ocineitrindade.blogspot.com.br/
Em setembro de 2015. 
O poema sagrou-se vencedor do XVII FestCampos de 
Poesia Falada, durante o FDP - 
Festival Doces Palavras,          
dirigido pelo agitador 
cultural Artur Gomes (foto).

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janc

Ca.....!!!

Don Oleari

Uai, Janc, cadê seu comentário? Falaí, sô! abração;

Ocinei Trindade

Muito honrado por esta projeção e comentários!!! Muito grato pela divulgação do poema "Ode ao Falo" Um abraço !!!

Don Oleari

Nosso poeta Ocinei Trindade: o Rodrigo Mello Rego manda agradecer seu comentário. E diz que "As Certinhas do Oleari + Poesia Erótica" estão acertas - opppsss! - a outras contribuições. Sucesso!

Marcio Moraes Saraiva

Mais do que merecido, meu talentoso amigo! Abraço grande!

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