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Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado - HaiKais e "Confissão", Marien Calixte

16 de julho de 2017



Marien Calixte por Amarildo (A Gazeta)

Pitaco do Oleari:

Pedi ao meu guru "intelecquitual" Rubens Pontes para praticar um daqueles seus belos textos que introduzem "Meu Poema de Sábado" na página Aqui Rubens Pontes, em memória do nosso sempre saudoso Marien Calixte.

Há bastante tempo coloquei "Confissão" na caixa de edição d"As Certinhas do Oleari + Poesia", mas nunca fui suficientemente competente para uma tarefa dessas, tão delicada.

Mandei este Pitaco do Oleari para o Rubens com a seguinte anotação:

- Isso é coisa para sábios, não para um mero digitador infernético de textos pobres e incultos. Portanto, façam os sábios o que cabe aos sábios fazerem. Com o abração do seu súdito Oleari.

Rubens não se fez de rogado. Foi pá e lá, respondeu prontamente. Assim, ó:

- Intrínseco Oswaldo Oleare

 Você,  a pretexto de falar  sobre Marien Calixte, seu companheiro desde quando ambos defendiam o seu pão de cada dia como locutores em  parques de diversão, tece elogios a este nonagenário escriba... Mesmo me confessando lisonjeado, sou levado a reconhecer que elogios assim, partidos de amigos como você, são absolutamente suspeitos...

No entanto, não juro suspeição para falar sobre nosso comum e  inesquecível amigo  Marien Calixte (na foto, com o jornalista e escritor José Roberto Santos Neves)
porque  seus méritos são reconhecidos por  unanimidade,  até por quem não manteve relações próximas com
ele durante sua vida,  voltada fundamentalmente para setores onde imperam talento e criatividade.

Um registro histórico para o qual certamente deve ter contribuído a herança atávica da cultura francesa de seu pai (Sobre ele, escreveu Marien: " O jardineiro que sabia da terra e das plantas")...

Formador de opinião, foi um jornalista responsável  pela modernização de órgãos da imprensa capixaba, 
um radialista que imprimiu modernidade aos programas por ele criados e apresentados,
reconhecido  artista plástico com telas que iluminam ambientes em que são 
expostas, Marien Calixte foi um homem  de extraordinária versatilidade no campo
da inteligência criativa e criadora, onde atuou com brilho invulgar sempre incentivado

por sua esposa e companheira de todos os momentos, a também jornalista Terezinha Calixte.

Marien e Terezinha Calixte com Marcia e Carlos Tourinho.

Autor de obras de ficção, contos e crônicas, o multi-mídia que brilhou como jornalista, 
radialista, publicitário, escritor, pintor, foi ainda e com tudo isso um poeta de extraordinária sensibilidade,
reconhecido também fora dos nossos limites geográficos.

Muitas de suas obras  de poesia ganharam dimensão nacional e internacional, como o  "Livro de Haikais" (1990), "Não amarás" (1991), "Lua imaginária" (1994), "Le Vent de L'Autre Niut (1996).

Sua presença na Antologia "100 Haicaistas Brasileiros" evidenciou sua importância nesse instigante campo da poesia criativa dos japoneses e é sobre essa faceta da
produção literária de Marien Calixte que reservo minha  leitura de poemas deste sábado, reverenciando também sua memória.

 Marien mudou de plano em 2013, aos 78 anos de idade.

 "Um pedaço da História do Espírito Santo", como se escreveu sobre ele, 
só não desapareceu com sua morte porque suas obras e o exemplo deixado
por sua figura afável, generosa e sempre acolhedora jamais serão esquecidos.

Na foto, esquerda pra direita: Esdras Leonor, Djalma Juarez Magalhães e Maria Nilce, Hélio Dorea, Marien Calixte e Heraldo Brasil

Tive o privilegio de conviver com essa extraordinária figura humana e com ele participar
de memoráveis trabalhos na nossa área profissional e é com muita saudade que leio em silêncio e com reverência alguns dos seus poemas, revivendo uma poesia oriental surgida
Século XVI, marcada pela filosofia espiritualista, de símbolos do Taoismo e dos
mestres Zen-budistas com seus aforismas. 

Mas o poeta não se limitou aos haikais. Sua versatilidade literária o fez também
incursionar no campo dos poemas românticos com acentuado lirismo, como se
observa em sua "Confissão", versos que todos nós gostaríamos de
murmurar para nossas amadas, mãos dadas, caminhando à noite pela praia e
olhando para o céu, onde reina a senhora lua.

E assim tendo dito, Oswaldo Oleare, saiba que...
... a qualquer tempo que feliz remontes
serei sempre o seu amigo,
o Rubens Pontes".

HAIKAIS

Tropeço e caio 
   levanto
me distraio

..........................

O mundo após
faz antigo o sulco
que se extrai agora

..........................

Dorme comigo
    a palavra
sem temor do sonho

..........................

Evapora-se o rastro
   na memória
Já amei este nome.

..........................

Uma parte de mim
sofre. A outra des-
vencilhou-se.

..........................

Com o vento
aprendi a andar.
Libertado.

..........................

Toutes les nuits
ma bien-aimée
allume les étoiles.

..........................

Geografia de surpresas
a ilha sintetiza paixão
viver é ver Vitória.

..........................


CONFISSÃO

Marien Calixte

Gosto de ti
do teu olhar
de suspeita
Gosto da tua voz
Do tom de ironia
Quando me dizes
eu te amo
De ti não renuncio
Qualquer instante
De ti não me retiro
gosto de ti
Dessa tua alma
De lua
nova
Crescente
cheia

                            






                        



rubens pontes
é jornaista,
radialista, 
escritor,
poeta

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LUIS HENRIQUE

Obrigado pelo carinho,
Saudades de meu pai.

Don Oleari

Abração, Luis Henrique. Seu saudoso pai também pranosotros, que convivemos 800 anos com ele, sempre presente.

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