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Aqui Rubens Pontes - meu poema de sábado / "As duas sombras" e "Ao calor da lareira", Olegário Mariano

8 de julho de 2017
Dois videos com duas composições famosas de Olegario Mariano e Joubert de Carvalho,
ao final da coluna.



- Enologista Oswaldo Oleare

Olegário Mariano foi um dos poetas que marcaram minhas leituras na adolescência povoada de romantismo.

A Revista Fon Fon, publicação de sucesso naqueles antigos tempos, o elegeu em 1938 o novo "Príncipe dos Poetas Brasileiros", já membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia de Ciências de Lisboa.

Abaixo, foto de uma página da Revista Fon Fon
com o poema "As Duas Sombras", um dos 
selecionados para este sábado.


Poeta, escritor, compositor, Olegário Mariano, pernambucano de Recife, foi também diplomata, tendo sido embaixador do Brasil em Portugal.

A partir do seu primeiro livro "Visões de Moço", editado aos 15 anos de idade,
publicou mais de uma dezena de obras em prosa e principalmente de poemas,
muitos deles traduzidos para o espanhol e o italiano.

Em parceria com Joubert de Carvalho, compôs 21 canções, entre elas o popular
"Cai, cai, balão" - que a Rádio Clube da Boa Música poderá, quem sabe? incluir na sua grade de programação).

Neste sábado de inverno, frio e chuvoso, aqueci meu coração e minha alma
com uma taça de vinho revivendo alguns dos seus poemas.

E como a poesia nos conduz a sonhos, pude também sonhar, olhando para o céu nublado,
com uma garrafa do complexo Swinto Malbec 2008 Belasco de Baquedano,
enquanto, conformado, abro meu modesto Borsão Garnacha dos Campos de Borja,
este compatível com os magros proventos da minha aposentadoria.

Com o mesmo alto padrão do primeiro vinho, aqui sem preocupação de economia,
selecionei dois poemas entre os que mais sensíveis evocações provocaram
neste saudosista já agora sem pecado:

"As duas sombras" e "Ao calor da lareira".

Abraço, Rubens."

As Duas Sombras


Na encruzilhada silenciosa do Destino,
Quando as estrelas se multiplicaram,
Duas sombras errantes se encontraram.

A primeira falou: - "Nasci de um beijo
De luz; sou força, vida, alma, esplendor.
Trago em mim toda a sede do Desejo,
Toda a ânsia do Universo... Eu sou o amor.

O mundo sinto exânime a meus pés...
Sou delírio... Loucura... E tu, quem és?"

- "Eu nasci de uma lágrima. Sou flama
Do teu incêndio que devora...
Vivo, dos olhos tristes de quem ama,
Para os olhos nevoentos de quem chora.

Dizem que ao mundo vim para ser boa,
Para dar do meu sangue a quem me queira.
Sou a Saudade, a tua companheira
Que punge, que consola e que perdoa..."

Na encruzilhada silenciosa do Destino
As duas sombras comovidas se abraçaram
E de então, nunca mais se separaram.

AO CALOR DA LAREIRA

Mesmo só, quando ao pé do fogo da lareira,
Ponho-me a recordar o que fui e o que sou
A minha sombra - a eterna companheira
Que em dias bons e maus sempre me acompanhou,
Fica perto de mim de tal maneira
Que não parece sombra. É alguém que ali ficou.

Somos dois. Cada qual mais triste e mais calado.
Anda lá fora o luar garoando no jardim...
Tenho pena da sombra imóvel ao meu lado
Possuída da expressão de um silêncio sem fim.
E recordo em voz alta o meu tempo passado
E a sombra chega mais para perto de mim.

Ah! Quem me dera ter um bem que se pareça,
Que lembre vagamente outro que longe vai:
As mãos de minha Mãe sobre minha cabeça,
O consolo de amigo e a fala do meu Pai.

E antes que a noite passe e a alma se enterneça,
Abro a janela e espio a lua que se esvai...
Qual! É inútil. Por mais que esta lembrança esqueça,
Uma lágrima cresce em meus olhos e cai...

Deus há de permitir que eu adormeça
Com as mãos de minha Mãe sobre a minha cabeça,
Ouvindo a fala comovida de meu Pai.



Rubens Pontes
é jornalista,
poeta,
escritor,




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